Invernada, 20-9-18
Querido amigo,
Sábado recebi a tua carta escrita no dia 31-8 pela qual agradeço. Estou muito satisfeito em saber que você se está saindo bem nos estudos.
A irmã Guedes, depois de longa enfermidade, separou-se dos desta terra. Quando no dia da Ascenção do Senhor estive lá, visitando, ela estava muito fraca e tão magra que parecia que a pele estava cobrindo os ossos. A fisionomia era totalmente diferente. O Guedes tinham gasto uma fortuna em remédios e médicos, mas nada disso adiantou.
Também a senhora Onofre Regis está mais doente do que nunca. Esteve com médicos de Tubarão e eles vêm às vezes visita-la em casa, e assim mesmo não consegue melhorar nada — e ela está doente há mais de 20 anos.
Quanto à nossa igreja [em Rodeio do Assucar], por enquanto não tem nada de novo, o que mais falta é um pastor. Quanto à Escola Dominical do Rio Laranjeiras, vai estável. A Maria Verginia e a Benta foram embora dali. Os netos do Caciano não vem mais para a Escola Dominical porque foram proibidos pela mãe, que tem medo dos batistas, e crêem nas doutrinas católicas e outras superstições. Ela foi fazer farinha de mandioca lá no Rio Bonito e quando voltou não mais deixou os filhos irem para a Escola Dominical.
No começo deste mês inscreveu-se um de nome Pedro Vieira. O pai dele é muito rígido em suas convicções, mas ele não se inscreveu o sem conhecimento do pai e do avó. Também uma filha daquela Maria solicitou para inscrever na Escola Dominical, então por aí você pode ver como está o trabalho da mesma no Rodeio do Assucar, que aos poucos está levando o seu objetivo em frente.
O Theodoro [Klavin] já faz tempo que foi embora; na noite de 25 passado ele chegou em São Paulo.
O tempo aqui se mantém bom e muito frio e ainda na semana passada houve geadas. Neste ano podemos observar um fenômeno inédito na região: fortes ventostrouxeram imensas nuvens negras de fumaça do alto da serra. Lá queimam os campos e os faxinais numa medida antes nunca imaginada, porque nunca as cinzas chegaram até aqui, e vindo daquela distância do alto da serra.
Na semana passada aqui em baixo da serra também queimaram descontroladamente muitas áreas de mato, capoeirões e capoeiras, fazendo um ruído medonho; à noite, apesar da fumaça, havia clarões por todo o lado. A queima é facilitada porque grande parte da vegetação das matas está totalmente queimada pela geada. O fogo era realmente apavorante, pois chegava até a altura das árvores mais altas. Fiquei imaginando que se não tivesse chovido, apagando tudo, o fogo teria chegado às nossas vizinhanças e acabado com todas as samambaias.
Mas lá nas Serras não choveu e o fogo continuou, e o forte vento trazia, além das nuvens de fumaça, um calor desagradável. Por fim lá também choveu, apagando aquele inferno, tudo voltando a normalidade.
Agora outra vez, o tempo está bom e sopra uma brisa agradável.
Terminando, receba muitas lembranças minhas e votos de bons dias. Que Deus te ajude.
Teu Roberts [Klavin]
[Escrito na lateral:]
Muito obrigado pelas lembranças recebidas do Eduardo Sahlit. Quando escreveres saúde ele por mim.