Rio Novo, 29 de abril de 1920
Querido irmãozinho,
Esta noite vou escrever uma para você. Estou passando bem e com saúde.
Hoje está chovendo, mas não muito forte. O tempo esteve mais para seco do que para chuvoso. Hoje transplantamos as primeiras mudas de repolho e agora a chuva está regando.
Eu estou na escola. Tenho que estudar Gramática, Geografia, tenho que ler e traduzir a “Nossa Pátria” [Livro de História do Brasil de Rocha Pombo], e Aritmética daquele velho livro que era seu. Aquela parte dos cálculos decimais eu já terminei.
Na escola somos vinte e três alunos. Agora as carteiras estão no templo, porque naquelas salas não cabe mais. Toda manhã é cantado o Hino à Bandeira e no final das aulas o Hino Nacional. Agora a D. Marta está ensinando o Hino do Estado, e quem não canta ela passa uma reprimenda.
Os Grikis são uns sem-vergonhas; eles dizem que o Butlers olha para eles como se eles fossem lobos.
Breve a escola passará a ser do governo, e aí só se falará em brasileiro.
Os cantores [hinários] que chegaram logo os terei vendido todos: restam só três. O Natalis e o Kondes [Conrado Auras] cada um comprou um, e o outro o Augusto Klavim pois o que ele tinha usado também já tinha vendido. Você poderia mandar uma dúzia de uma vez. O meu preço é 2$200, pois neste acabamento o Augusto também vendia [por este preço]. Aquele outro com acabamento superior de 2$700 ele nunca teve, nem tinha um preço fixo para este tipo.
Você não teria um bom cachorro para mandar-me? Não temos mais nenhum. O Latzis [“Urso”] ficou doente e morreu, e aqui filhotes são muito difíceis de conseguir.
Bem, agora chega. Vou aguardar agora uma longa carta sua, e se gostar da carta eu respondo. Logo o Butlers vai ensinar a escrever cartas.
Com muito amáveis lembranças do
Arthur