Rio Novo 30 de Setembro de 1926
Saudações meu querido irmão Reini
As tuas cartas a de 25 de agosto e a outra com as fotografias e aquela “procuração” e mais os jornais chegaram todos. Vieram em dois pacotes. Mas aquela faca de cortar linguiça de carne de porco o Grimberg ainda não mandou . Ele me escreveu que tem medo de mandar porque a administração dos Correios poderia achar ruim em trazer uma “ferramenta” tão exótica. Se for possível ainda hoje vou escrever pedindo que ele embrulhe bem em bastante papel e mande assim mesmo.
Nós estamos passando bem. Agora estamos trabalhando por aqui mesmo. Estamos fazendo tudo o que aparece e que seja mais urgente. Algumas semanas atrás nos aramos o pasto junto à porteira e também aqui na frente da casa começando na estrada aqui na entrada passando pela laranjeira indo até lá em cima até a grande figueira. Na semana que vem se tudo der certo vamos fazer uma cerca para separar as áreas e plantar milho para mais tarde plantar grama para renovar a pastagem. Esta semana estamos derrubando o capoeirão no morro em frente logo junto à estrada principal e se tudo der certo deverei terminar amanhã. Na realidade eu queria terminar hoje, pois trabalhei o dia inteiro e também por isso a minha letra esta um garrancho que mais parece um pé de galinha.
Aqui o tempo está muito chuvoso, chove e ronca trovoada todo o dia. Hoje foi exceção, pois fez tempo limpo o dia inteiro, mas faz uns 3 meses que chove demais e atrasa todos os serviços. Com um tempo destes não dá para capinar nem plantar nada e o que foi plantado, por exemplo: a batata inglesa, as folhas ficam pretas, apodrecem e não crescem.
De modo geral as coisas vão normalmente. Os produtos agrícolas é que estão muito baratos e ninguém quer comprar. Por exemplo, o feijão que no ano passado chegou a ser vendido a 80$000 o saco este ano estava a 18$000 a saca e tinha muitos tinham esperança que esta situação ia se reverter e aguardaram melhora nos preços e agora está a 5$000 e assim mesmo ninguém quer comprar e assim é assim também com outros produtos.
Bem hoje chega. Como estás passando lá na América? Não está muito frio? Como foi a viagem? Você também alimentou os peixes no mar? Como fostes recebido na Escola? Como é por lá de modo geral?
Escreva uma longa carta sobre todas coisas de lá. Hoje não vou escrever muito.
Com muitas lembranças do APurim. (Arthur Purim)