Paranaguá 28 de agosto de 1922
Querido Reinold
Saudações
Parece que eu nunca tenha escrito para você desta cidade. Você também terá o direito de dizer que não foi possível escrever por absoluta falta de tempo por não ter condições de estabelecer uma escala de prioridades, pois as tarefas e necessidades se sucedem de maneira impressionante.
Estou cheio de trabalho, já tive oportunidade de conhecer todo meu campo de ação que é muito grande. O maior problema é que muito poucas pessoas sabem ler, também a maior parte do meu deslocamento é por água.
Na semana passada saí de Assunguí de canoa em companhia de um negro que era o ajudante, às 10 horas da manhã, tinha chovido muito e o rio estava por fora das margens e para baixo íamos muito bem e ao entramos no mar na força da maré alta surgiu um forte vento contrário então tivemos que esperar a maré baixar e depois na base de remos enfrentando as ondas e o vento até que às 8 horas da noite quando ficamos encalhados numa parte rasa e dai quando chegamos em casa em Paranaguá eram 2 da madrugada mortos de cansaço.
Na Sexta Feira nós saímos às 3 horas da madrugada para chegar de volta em casa há meia noite. Estarei aprendendo lidar com o motor para sair com o barco grande.
O povo aceita o Evangelho, mas o difícil é organizar o trabalho para ele continuar sozinho, pois faltam pessoas capacitadas e com iniciativa. Daí sobra, tudo, pra gente.. Escreva-me como estás passando. Eu mandei para você as conclusões da Convenção.
O novo Inkis ainda continua na escola?
Tens alguma novidade do Rio Novo ou de Nova Odessa?
Saudações
Carlos Leiman