Rodeio do Assucar 12 de Setembro de 1923
Querido Reinhold
Saudações!
Estou vagando pelo vales do município de Orleans.
Exatamente como “hóspede e desconhecido”. Entre os crentes existe paz. Ou aparência de paz. Tudo corre na mesma rotina de sempre. Sábios, orgulhosos e convencidos – duros fariseus.
Ontem eu dirigi um estudo sobre Evangelismo. Mencionei o Seminário, o velho Karklim levantou e fez um longo enunciado contra o Seminário e os Seminaristas fechando a sua fala dizendo que o Seminário erra ensinando demais os seus alunos e nenhum deles aceita trabalhar no interior e todos ficam nas grandes cidades. Que a Igreja de Rio Novo está cansada de sustentar o Seminário e os seminaristas por 32 anos e não recebeu do Seminário um pregador para a Igreja de Rio Novo. – Eu respondi que a Igreja devia escrever para o Seminário reclamando. – Depois pensei para cá comigo mesmo; acho que para o Rio Novo ainda não nasceu um pastor para esta Igreja.
A mocidade está trabalhando diligentemente – Penso que até Novembro já possa ter mudado para Laguna.
Você não virá nas férias descansar em casa?
Daqui eu irei para Mãe Luzia e daí para Rio Branco, Porto União e então para casa.
O teu pessoal está se queixando que você não tem respondido as cartas no mesmo ritmo que eles escrevem.
O agente dos Correios é o Alfredo Balod, considerado por todos como ladrão que todas cartas escritas em leto ele abra para ler.
Com sinceras saudações
Teu
Carlos Leiman
[Escrito na lateral]
Laguna – 18/8/23 [está errada a data] Não foi possível deixar no correio em Orleans porquê lá o agente é o Alfreds Balod filho do Germano que segundo as informações ele abre todas cartas escritas em leto e rouba os selos das cartas, por isso trouxe a esta carta até aqui. Em Rio Novo tudo bem. Espero em Novembro mudar para cá. Todos querem inclusive eu. – Carlos – Escreva-me a Paranaguá.
[Nota do Tradutor: Estas acusações precisavam ser comprovadas, para não incorrer que a acusação toda seja intriga da oposição.]