29 de maio de 1919

Querido irmão,

Primeiramente envio muitas lembranças para você. Eu estou passando muito bem. O tempo está lindo e quente. Hoje estivemos na igreja, onde teve um piquenique. Pela manhã teve um programa com poesias pelos alunos, que também cantaram três canções do hinário “Bernu Kokle”. O grande coro também cantou vários hinos, mas este está bem reduzido: só as velhinhas e pessoas de idade cantam no coro, pois o pensamento dos jovens está em outro lugar… Depois foi servido café com mistura [pão branco feito com bastante açúcar e manteiga] e depois fomos para o pasto brincar e correr.

As crianças são poucas e ignorantes. Laura tocava harmônio e Gutis Grikis ajudava cantar, mas ainda assim não ia.

Na sexta-feira passada, dia 23 de maio, houve o casamento da Ana Burmeister com o Alfredo Leepkaln. Este sim foi o par de noivos mais skists que nunca houve e nunca mais haverá.

[NOTA: Falta traduzir “skists”. Se estivesse sido escrito “skaists” a tradução seria “lindos, maravilhosos”]

O casamento foi na igreja, e depois serviram pão caseiro [integral], café e pão branco. Mas se os recém-casados não se portarem direito depois do memorável sermão que o Deter proferiu, aí não sei o que fazer mais. Depois disso não teve nada importante. O casamento começou às 2 horas da tarde e antes do sol se pôr todo mundo já ia para casa.

O Waldis Karklin estava domando uns cavalos para o Bekeris. Ele também estava domando um potro do Hermann Grunzkis, mas quando foi subir num outro potro que pretendia ensinar foi jogado no chão, quebrando o braço esquerdo perto do cotovelo. Achei que foi muito bom, porque ele era muito pretensioso, desfazendo e zombando de todos rapazes daqui por qualquer coisa.

Agora o Waldis e o Jurgis vão embora para São Paulo, e sobre a famosa eletricidade ninguém conseguiu ver nada.

Chega por hoje, outra vez escrevo mais. Ainda muitas lembranças da

Luzija