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Introdução

Cremos que no tempo atual, principalmente nós os batistas precisamos reexaminar e fortalecer a nossa ideia e apreciação da obra de Jesus Cristo no estabelecimento da igreja e do que ela significa para nós e para o mundo.

Julgamos também que o assunto é necessário hoje em dia em face da tendência e mesmo dos movimentos por parte de determinados elementos para enfraquecer e mesmo fazer cessar a atuação da igreja ou das igrejas no mundo. Torna-se, pois, necessário hoje em dia conhecer os perigos que as igrejas enfrentam e defender o seu significado para a vida humana. Vamos examinar ou recordar, pois, o que a Palavra de Deus diz sobre a formação da igreja e a sua tarefa neste mundo.

Vamos notar inicialmente e com a máxima atenção possível que a igreja é uma instituição divina. Hoje em dia este fato nem sempre é reconhecido devidamente. Dizemos isto porque frequentemente instituições outras e puramente humanas às vezes tendem a tomar o lugar das igrejas como fossem aquelas as verdadeiras agências para a evangelização do mundo. Os batistas certamente creem na doutrina da igreja como ela se encontra apresentada no ensino de Jesus e exemplos do Novo Testamento, posição esta que hoje nós precisamos manter e divulgar.

Vamos então iniciar o estudo sobre a edificação da igreja com um exame da preparação dos apóstolos como o fundamento da igreja.

Capítulo 1

A PREPARAÇÃO DOS APÓSTOLOS COMO O FUNDAMENTO DA IGREJA (EFÉSIOS 2.20)

Notemos, inicialmente, que os evangelhos apresentam a. constituição da igreja como um processo gradativo e em tese, como a obra de Deus Pai, de Jesus Cristo, e do Espírito Santo. A igreja, como instituição, e a obra da Triunidade divina. Vamos examinar o processo desta obra começando com a primeira referência de Jesus a igreja no seu ministério (Mateus 16.18).

Já sabemos que quando Jesus disse a Pedro: “E sobre esta pedra edificarei a minha igreja”, ele referiu-se à igreja como “minha igreja”. Seria uma grande bênção para os crentes se estivessem sempre cônscios de que a igreja a que pertencem, é uma igreja de Jesus Cristo. Este fato deve encher os seus corações de louvor. Devemos notar mais de perto ainda quando mencionou a edificação da igreja, Ele referiu-se como “minha igreja”. Em uma outra ocasião, Ele revelou também a obra de Deus Pai na constituição da igreja. Na sua oração antes de entrar no Getsêmani, Ele disse ao Pai: “Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu nos deste, e guardavam a tua palavra” (João 17.6). Nesta oração Jesus revelou que os homens que eram seus discípulos e que depois constituiriam o núcleo inicial da sua igreja, tinham sido encaminhados a Ele por Deus, Pai. Foram dados do mundo a Jesus. para que Ele lhes desse vida eterna; foram dados para que cressem em Jesus como enviado por Deus e para que depois pela sua palavra, também mais outros cressem. Os discípulos eram pessoas que, de um modo ou outro, tinham sido dados por Deus a Jesus; eram pessoas que vieram a achar no Nazareno o Messias prometido; eram pessoas que, em Cesareia de Filipos, confessaram que o Filho de Homem era o Cristo, o Filho do Deus vivo, confissão esta feita por revelação de Deus Pai. Baseado nesta experiência de Pedro e dos outros discípulos, em cujo nome ele falou, Jesus declarou “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja”. Assim os discípulos se tornaram pedras vivas na edificação da igreja de Jesus Cristo, discípulos estes que, no Pentecostes e na linguagem de Paulo, foram batizados em um Espírito, formando um corpo, que era a igreja de Jesus Cristo, sendo Ele mesmo o seu Cabeça.

Sem a obra do Espírito Santo no Pentecostes, os apóstolos nunca poderiam ser constituídos como igreja de Jesus. Por isso Jesus Cristo, durante o período a partir da confissão de Pedro em Cesareia de Filipos até a sua ascensão precisou preparar o seu pensamento para que realmente esperassem coletivamente crendo na promessa de Jesus, a sua constituição em igreja no Pentecostes. Como exemplos na atuação de Jesus em preparar os discípulos no próprio dia da ressurreição, no primeiro aparecimento aos discípulos, Jesus Cristo prosseguiu a preparação desses discípulos que já havia começado no seu ministério. Disse, por exemplo: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós”. E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes “Recebei o Espírito Santo” (João 20.21,22). Depois da grande comissão na Galileia , e depois ainda no dia da ascensão, disse novamente aos apóstolos que esperassem em Jerusalém a vinda do Espírito Santo como seu revestimento de poder. Foi assim que através da atuação de Deus Pai durante o ministério de Jesus, o Nazareno, e depois de Jesus completar a sua obra de redenção no Calvário e ressurreição pela vinda e operação do Espírito Santo no Pentecostes sobre os apóstolos que verificou-se o estabelecimento da igreja de Jesus Cristo no mundo, obra esta que foi do Deus Pai, obra esta de Jesus Cristo Salvador, e obra esta ainda ,do Espírito Santo, Consolador, dado por Deus mediante a atuação do Deus Filho. Não estamos dando aqui um relato completo da preparação dos apóstolos e sua edificação em igreja. Mencionamos apenas os fatos para que nos alegremos e demos graças a Deus pela igreja constituída no mundo de modo maravilhoso.

Até aqui do nosso estudo mencionamos apenas como a igreja foi constituída pela Triunidade divina. Agora precisamos mencionar também qual é a sua tarefa ou finalidade neste mundo. Jesus, quando mencionou a edificação da igreja, declarou também a sua tarefa. Disse: “E as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16.18). A edificação e a tarefa são mencionadas juntas em sequência e como inseparáveis. Examinemos, portanto, agora a declaração de Jesus referente a tarefa da igreja. Vamos mencionar apenas o sentido da declaração de Jesus sem entrarmos no momento em quaisquer detalhes. Para compreendermos esta declaração de Jesus e sua posterior atuação, devemos notar primeiro que Jesus, em todo o seu ministério, quanto sabemos, mencionou a “igreja” apenas em duas ocasiões (Mateus 16.17; e 18.17). Daí a importância desta afirmação. Falou em tese e declarou só o fato essencial. Quando declarou “as portas do inferno não prevalecerão contra ela”, Jesus Cristo deixou claro que a tarefa da igreja será tomar a iniciativa para agir, atacar e destruir o poder da morte e do pecado no mundo. Para Jesus esta é a tarefa de todas as igrejas, em todo lugar e em qualquer tempo. Esta é a verdade que todo crente, como membro de uma igreja deve reconhecer como seu dever a cumprir.

Devemos notar ainda que a tarefa da igreja, declarada por Jesus, é a mesma para qual Jesus Cristo veio ao mundo, conforme declara o apóstolo João em sua primeira carta 3:8, onde lemos: “Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo”. A finalidade da vinda de Jesus ao mundo e da sua igreja é maior do que nós pensamos. Geralmente entendemos que a obra da redenção é libertar os pecadores da prisão do pecado, ou do diabo. Certamente é isto, mas não é tudo. A declaração de Jesus a Pedro e a palavra do apóstolo João é mais expressiva. A obra da
redenção não é apenas salvar ou libertar os pecadores da escravidão ou da prisão do pecado, mas sim é destruir, dissolver o poder ou o reino do diabo no mundo; é desfazer as obras ou o poder do mal, como o sistema organizado do seu domínio sobre os homens. A tarefa certamente é libertar os pecadores da prisão, mas sua tarefa é também quebrar a própria prisão ou poder organizado do diabo, ou as forças organizadas com que ele mantém a humanidade em escravidão. A atuação redentora de Jesus Cristo é através da sua igreja, ou igrejas, como seu corpo, e através dos crentes como seus servos e membros do seu corpo.

A igreja precisa exercer a sua tarefa através dos seus membros como pessoas salvas. Para cumprir essa missão cada crente precisa anunciar o reino de Deus e interpretá-lo aos homens como indivíduos e a humanidade como um todo. Cabe à igreja e a cada membro seu em particular testemunhar aos pecadores como se podem libertar do pecado, ou como entrar na vida eterna mediante o arrependimento do pecado e mediante a fé em Jesus Cristo como Salvador. A salvação para o pecador e obra bilateral. A salvação propriamente dita é obra divina, pois o homem nada pode fazer
para se salvar. Na salvação a parte humana é sua aceitação do que Deus já fez. É tarefa da igreja anunciar aos homens que Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo, e pôs em nós a palavra de reconciliação para que convidássemos e rogássemos aos homens para eles de sua parte também se reconciliarem com Deus. A salvação cristã não é apenas negativa, ou apenas escapar da condenação; é também positiva, e para vivermos para Cristo. Cabe à igreja e aos crentes interpretar como devem os salvos andar na igreja ou no reino de Deus. Em resumo, a tarefa da igreja e dos crentes é fazer discípulos de todas as nações e ensiná-los como devem guardar todas as coisas que Jesus ordenou. Jesus Cristo declarou não somente a tarefa da igreja, mas também garantiu a sua vitória, dizendo que as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Com isto colocou sobre a igreja a responsabilidade pela continuidade do poder do mal no mundo. Se a vitória está garantida para a igreja, por que então não venceu ainda? A vitória de Jesus Cristo sobre a morte e pecado garante também a vitória para a igreja e os que creem nele. Enquanto o salário do pecado é a morte para quem permanece no pecado, o dom gratuito de Deus é a nossa vitória e vida eterna por Cristo Jesus, nosso Senhor. A atuação da igreja de Jesus Cristo é uma atuação já vitoriosa. Daí o estímulo de Paulo para os crentes todos: “cada vez mais abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão, no Senhor”.”Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes” (1 Coríntios 15.58).


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