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A falsa relação entre o indivíduo e a ordem social como causa de problemas coletivos.

Os problemas sociais agravam-se à proporção que cresce a complexidade da ordem social e a interdependência dos seus componentes. Isto prova que a ordem social está em bases falsas. Não é, necessariamente, a complexidade que cria os problemas, mas sim as deficiências nas relações sociais.

Em grande parte, a presente situação mundial é consequência da relação falsa que se vem criando entre o indivíduo e a ordem social à qual ele pertence. O indivíduo, que é a base ou verdadeiro fator da sociedade, está ficando obscurecido pela formação de outros fatores, que são estranhos e até incompatíveis com um regime legitimo.

Surgem, por exemplo, classes sociais, sindicatos e outros grupos de toda espécie, com a finalidade de servir de mediadores entre o indivíduo e a ordem social propriamente dita da qual ele faz parte.

Muitos há que procuram justificar a formação de classes sociais, alegando serem as mesmas necessárias para defender os interesses do indivíduo diante de terceiros, como seja o patrão ou até o próprio estado. Geralmente, a organização de uma classe visa defender os seus componentes contra as injustiças que as pessoas de outras classes costumam praticar contra eles. Diante da atuação de classes por intermédio de seus representantes, o indivíduo, propriamente dito, com o fator por excelência que deve ser da sociedade, fica obscurecido pela classe à qual pertence por força de necessidade. Suas relações sociais, principalmente as do terreno econômico como, por exemplo, as do patrão e empregado, em grande parte vêm ser determinadas por mecanismos em que ele mesmo como indivíduo, não raro, pouca ou nenhuma voz ativa tem.


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