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CONCEITO DE AUTORIDADE RELIGIOSA
Para se poder estudar o significado de autoridade na religião cristã, torna-se necessário focalizar primeiramente o conceito geral de autoridade. A seguir convém estabelecer uma ideia adequada de autoridade religiosa para se chegar ao sentido de autoridade na religião cristã propriamente dita. Note-se, portanto, o que geralmente se entende por autoridade nas diferentes esferas de relações e atividades para se focalizar então a autoridade como princípio e a sua aplicação na religião e, particularmente, na religião cristã.
Capítulo 1
DEFINIÇÃO DO TERMO E CONCEITOS GERAIS
Para despertar a atenção da mente cumpre perguntar: Qual a diferença entre autoridade e autorização? Qual a diferença entre ter autoridade e ser autoridade? Afinal, que é autoridade? Pode-se descrever a autoridade como o direito, a capacitação e a liberdade de agir junto a outros e mesmo sobre eles.
Geralmente, quando se fala em autoridade, ocorre a ideia de superioridade de alguém sobre os outros em determinado setor da vida. A noção mais elementar de autoridade seja a de superioridade e força física ou coragem para coagir os outros. E o que em linguagem popular se diz: “o direito da força não a força do direito”. A ideia é de simplesmente impor a vontade ou domínio sobre os outros.
Outro conceito de autoridade é a superioridade natural, social ou de condições econômicas. Entende-se, perfeitamente, por exemplo, que o pai tem autoridade sobre o filho pelo simples fato de ser o pai, o chefe da família. Entende-se semelhantemente a autoridade do patrão sobre o empregado, ou a autoridade do primeiro sobre o outro por motivo de circunstâncias econômicas. Pode-se mencionar ainda a autoridade administrativa e executiva quando alguém exerce superioridade própria ou delegada a ele por terceiros, em algum setor da vida econômica ou social. Mencione-se como exemplos a administração na indústria, na política etc. A autoridade, neste caso, pode ser simplesmente uma autorização e obrigação a cumprir. Pode ser apenas uma função ou dever a cumprir.
Deve-se mencionar ainda a ideia de autoridade cultural ou didática, exercida, por exemplo, pelo professor sobre o aluno. Esta baseia-se na superioridade de conhecimento, na qualificação intelectual, e representa, ao mesmo tempo, uma autorização de terceiros. Nesta conexão pode-se mencionar a autoridade chamada profissional, fundamentada em conhecimentos técnicos e experiência adquirida. Nesta conexão pode-se mencionar ainda a autoridade que se apoia nas leis do raciocínio. Por exemplo, as leis da lógica ou da matemática se impõem, ou geralmente, são aceitas pela nossa natureza racional. Diante do raciocínio ou da prova lógica, nossa mente sente-se constrangida pela vontade ou pela forma de raciocínio. É uma autoridade puramente racional, metafísica, alicerçada na própria natureza racional do homem, o que não envolve, necessariamente, a ideia de dever moral ou da consciência.
Mencione-se, também, o conceito de autoridade moral. É o conceito de superioridade baseado em qualidades morais e pessoais adquiridas ou cultivadas e reconhecidas pelos outros. Firma-se na integridade pessoal e no sentimento de obrigação exercido como dever, com coragem e liberdade junto aos outros e para o bem comum. Este conceito funda-se na noção do bem e do mal e no sentimento de responsabilidade que leva o indivíduo junto aos outros. Na esfera da moral o indivíduo atua como um ser livre, rompendo obstáculos, e como responsável perante a sua própria consciência e a dos outros. É a atuação que também a consciência social espera e exige do indivíduo e na base da qual o julga, aprovando-o ou desaprovando-o. O comprimento do dever moral por parte do homem como indivíduo não é só o que a sua consciência o obriga a fazer; é também o que a sociedade espera e exige dele. Quando esta solicitação se cumpre, forma-se nos outros uma confiança ou tradição que atribui ao indivíduo uma autoridade ou superioridade moral.
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