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O 1º PERÍODO DA HISTÓRIA BÍBLICA

DA CRIAÇÃO ATÉ ABRAÃO

1) Introdução – A História Bíblica pode ser dividida em 13 períodos. Nesta série vamos apresentar estes períodos da História Bíblica, enunciando os seus fatos principais. Certamente não poderemos narrá-los todos, por falta de espaço. Este estudo tem por fim apresentar aos leitores os fatos da Bíblia em sua ordem e do modo mais simples possível para lhes facilitar a compreensão da Bíblia. Infelizmente há pessoas que não têm a menor ideia de tempo em que viveram os grandes homens mencionados nas Escrituras. É necessário, pois, que os leitores estudem cuidadosamente esta série de lições sobre os períodos da História Bíblica. Nestes estudos seguiremos a sequência do plano do Livro Esboço de História Bíblica por P. E.Borroughs.

Seria interessante que o leitor memorize os nomes dos períodos da História Bíblica a serem estudados que são os seguintes: 1) Da Criação a Abraão; 2) de Abraão a Moisés; 3) O Êxodo; 4) A Conquista de Canaã; 5) Os Juízes; 6) O Reino Unido; 7) Os Dois Reinos; 8) Judá Sozinho; 9) O Cativeiro; 10) A Restauração; 11) O Período Intertestamentário; 12) A Vida de Jesus Cristo; 13) O Período Apostólico.

Hoje, portanto, temos o primeiro período, isto é, o período da Criação a Abraão. Este é o mais longo de todos. Realmente não sabemos quanto tempo passou da criação do mundo até Abraão; não sabemos nem aproximadamente. A Bíblia não nos relata tempos, mas os fatos. Calcular tempos cabe à ciência, mas esta ainda não nos pode dizer quanto tempo levou a formação da Terra, ou mesmo há quanto tempo existe o homem sobre a face da Terra.

Os fatos do período que se estende da criação até Abraão acham-se narrados nos 11 primeiros do Gênesis. Para compreender esta lição é interessante que o leitor leia estes capítulos. Eles constituem uma introdução à Bíblia toda e abrangem um período de tempo mais longo do que o do restante da Bíblia. Sem esta parte introdutória não poderíamos compreender devidamente a mensagem da Bíblia. Nestes primeiros capítulos das Escrituras encontramse os principais fatos que constituem a base do conteúdo da própria Bíblia, como também para todo o conhecimento humano. Neste primeiro período encontramos os seguintes grandes fatos que servirão de tópicos para este estudo.

2) A criação do mundo – O primeiro fato que a Bíblia nos apresenta é a criação do mundo. Donde veio o universo e este mundo que habitamos? A ciência não pode explicar a origem das coisas. A Bíblia, porém, nos diz que todas as coisas foram criadas por Deus. Esta é a primeira revelação que a Escritura nos oferece. Notemos agora a ordem em que foram criadas.

A obra da criação divide-se em épocas que, na linguagem bíblia, são chamadas “Dias”. Deus criou todas as coisas em seis “Dias” ou períodos, cuja extensão não conhecemos. No primeiro dia foi criada a luz; no segundo, o firmamento; no terceiro, as águas e a terra firme; no quarto, o sol e as estrelas; no quanto, as aves e répteis e no sexto, os animais e o homem. No sétimo dia descansou da sua obra da criação. Assim pela Escritura Sagrada sabemos que Deus é a origem de toda a criação.

3) A criação do homem e sua queda – A criação do homem foi um ato especial de Deus. Disse ele: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. O homem traz em si a semelhança de Deus. Nas Escrituras temos duas narrativas da criação do homem – Gênesis 1.26-30 e 2.7-8). Temos aqui a finalidade para a qual o homem foi criado. Ele foi feito para dominar sobre tudo. Além destas narrativas temos ainda a história da criação da mulher (Gênesis 2.18-24). Esta foi para ser a ajudadora do homem.

Embora toda a criação de Deus fosse muito boa, por um modo incompreensível, o homem desobedeceu ao seu Criador, pecou e afastou-se do ideal para o qual havia sido criado. A Bíblia não nos explica como o homem podia cair; apenas diz que ele caiu. Aí está, então revelada a origem, a causa de todos os males que tem afligido e ainda afligem o mundo. Em conexão com a queda do homem, a Bíblia mostra também como Deus lhe prometeu a salvação (Gn 3.15). O restante da Bíblia trata, pois, do preparo da humanidade para o cumprimento desta promessa e da sua realização na plenitude dos tempos.

4) Caim e Abel – O capítulo 4 de Gênesis nos relata como o pecado do primeiro casal se manifestou também nos seus filhos. Desde o seu início a raça humana toda tem estado sujeita ao pecado e tem sofrido as suas consequências. O pecado da desobediência de Adão e Eva manifestou-se nos seus descendentes como inveja, ódio e morte. Devido à maldade do seu coração, Caim teve inveja de seu irmão, Abel e o matou. Assim o pecado trouxe inevitavelmente as suas consequências. Além disso recebeu também a condenação de Deus. Por causa da desobediência de Adão toda a terra foi amaldiçoada. Depois foi maldito também o próprio homem – Caim – a humanidade sofre as consequências.

5) O dilúvio – A narrativa do dilúvio acha-se nos capítulos 6 a 9 de Gênesis. É a narrativa mais extensa deste primeiro período da história da Bíblia. Não sabemos quanto tempo se passou entre a morte de Abel e o dilúvio. todavia podemos notar que se passou muito tempo. A raça humana tinha se multiplicado em número e em maldade. Somente Noé achou graça aos olhos de Deus pela integridade do seu caráter. Deus anunciou a Noé que destruiria a humanidade pecadora do seu tempo por meio de um dilúvio e mandou que ele construísse uma arca para se salvar, bem como para salvar a sua família. Pela sua obediência à Palavra de Deus Noé não pereceu juntamente com a humanidade do seu tempo. Passado o dilúvio, a família de Noé constituiu o começo de uma nova humanidade.

6) A confusão das línguas – O último grande acontecimento do primeiro período da história da Bíblia foi a confusão das línguas. A sua narrativa encontra-se no capítulo 11 de Gênesis. Do dilúvio até a confusão das línguas certamente decorreu um tempo bastante longo, pois dos descendentes de Noé já havia surgido uma nova e numerosa humanidade. O dilúvio que destruíra a humanidade anterior não havia destruído, porém, o pecado nos corações dos homens. O acontecimento da confusão das línguas como o de Caim e Abel e do dilúvio, parece ser relatado a fim de mostrar a perversidade desesperada da raça. Na nova raça temos os homens fazendo planos de edificar “uma cidade e uma torre” para não se espalharem sobre a face de toda a terra. Isto era contrário ao que Deus dissera aos homens no início da raça: “Enchei a terra e sujeitai-a” (Genesis 1.28).

Diante do plano dos homens, disse Deus: “Confundamos ali a sua linguagem, para que não entendam a linguagem um do outro. Assim Jeová os espalhou dali sobre a face de toda a terra” (Genesis 11.7-8). “Os descendentes de Sem foram para a Ásia Central, os filhos de Cão foram para o sul e encheram a África; os filhos de Jafé foram para o ocidente e ocuparam a Ásia Menor e a Europa”. Na história da confusão das línguas temos então a narrativa bíblica do começo de nacionalidades e das numerosas línguas que hoje existem. Até este acontecimento Deus tinha tratado com a raça humana toda e esta falhou sempre. Daí por diante, porém, Deus escolhe um homem, Abraão, a princípio chamado Abrão, dizendo: “Por meio de ti serão benditas todas as famílias da terra”. cuja história será estudada nos capítulos subsequentes.


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