Clique AQUI para ler ou baixar a apostila completa em PDF
Introdução
Antes de começar esta matéria precisamos definir o que esperamos estudar aqui. A nossa finalidade já está indicada no nome do curso. Esperamos estudar, à luz do Cristianismo, a cultura do tempo atual, as suas origens, características e problemas. O termo “cultura” talvez, não se aplique bem ao pensamento contemporâneo, pois quando empregamos o termo, temos a ideia de coisas estabelecidas e que já se tornaram parte da vida coletiva. Neste estudo, certamente, esperamos abordar coisas que podem ser consideradas como cultura. Esperamos abordar também outras que ainda não assumiram aspectos definidos e que ainda não se incorporaram à vida e que, portanto, dificilmente poderiam ter o nome de “cultura” no sentido comum do termo.
O presente estudo, quanto ao método, pode ser considerado como parte da filosofia da história, cuja finalidade é interpretar tendências e acontecimentos históricos, em termos de suas causas e efeitos, e focalizar as diretrizes e forças operantes na história. A filosofia da história estuda um passado mais distante e que pode ser observado em perspectivas maiores do tempo. Para uma interpretação filosófica da história é preciso que os fatos sejam vistos à luz do tempo, que põe à prova ou que revela o significado real das coisas.
Neste estudo, além de apreciar assuntos que podem ser considerados como cultura já formada, esperamos abordar também as tendências e movimentos do momento presente, ainda que não constituam uma história sistematizada e escrita, mas que são apenas materiais a serem sistematizados e incluídos nas histórias amanhã ou depois. A intensidade e rapidez com que as experiências e transformações se desenvolvem na vida humana, hoje em dia, exigem que estudemos não somente os
fatos da história que já se cristalizaram, mas exigem que estudemos o que significam no momento presente. Para algumas coisas a serem estudadas, não teremos compêndios, pelo fato de as coisas ainda não forem escritas e publicadas. Os compêndios só apresentam acontecimento e situações passadas, mais ou menos distantes, que fazem parte do pensamento e sentimento modernos, ou então, que podem ter sofrido mudança completa.
Para estudarmos fatos do momento atual, precisamos depender de matéria que aparece em periódicos, no rádio e outros meios de comunicação. Uma característica de nosso estudo será que não ficaremos limitados à matéria sistematizada ou oferecida por terceiros. Precisaremos sistematizar por nós mesmo assuntos que se apresentam no momento. Hoje em dia, não basta estudarmos ou procurarmos interpretar apenas o que aconteceu uma vez. Precisamos observar também o que está acontecendo no momento presente. Em outras palavras, precisamos estudar não só o que aconteceu, mas o que está acontecendo agora. Não basta interpretar o que aconteceu e os seus efeitos e, talvez, sem podermos modificá-los. Hoje em dia, precisamos perceber tendências e movimentos e procurar, em tempo, evitar consequências prejudiciais que podem trazer e compreender as coisas, prever e procurar evitar efeitos prejudiciais antes que aconteçam. A história, além de ser a ciência, que estuda o passado, precisa ser também a ciência presente e do futuro, percebendo e combatendo tendências e movimentos cujos efeitos ameaçam o futuro.
Pré-requisitos:
Como sugere o nome desse estudo, esperamos examinar ou interpretar aqui os fatos da cultura contemporânea à luz do Cristianismo. Como intérpretes e propagadores do Cristianismo no mundo atual, precisamos não somente acompanhar as tendências e movimentos do pensamento atual; precisamos também julgá-los e procurar orientá-los e procurar orientá-los do ponto de vista do Cristianismo. A ciência e a filosofia, embora tenham sido e sejam fatores do progresso e das diretrizes da história, não podem orientar, nem dizer a última palavra na interpretação dessa mesma história. Não podem orientar o curso da vida humana, nem tão pouco podem solucionar os seus problemas. Hoje em dia, tanto a ciência como a filosofia voltam-se para a religião por reconhecer a sua própria incapacidade para orientar a vida humana. Não basta, porém, vultar-se apenas para a religião; é preciso voltar-se para a religião cristã
Para interpretar à luz do Cristianismo, a história, ou a experiência como a cultura contemporânea, o pregador e o teólogo precisam conhecer tanto o Cristianismo na sua forma histórica atual, como também e principalmente precisa conhecê-lo no seu ideal e como critério para julgar as formas históricas do Cristianismo para avaliar as tendências e as formas históricas da cultura e da vida humana em sua totalidade. Hoje em dia mais do que em qualquer outro tempo, o pregador da religião cristã precisa atuar também como orientador dos homens tanto em matéria espiritual como também em outras fases da vida contemporânea. O pregador de hoje não pode ser mero expectador do que acontece no mundo, ou no campo do pensamento humano. Ele precisa perceber ou discernir o que acontece entre os homens e orientá-los em sua vida, oferecendo-lhes diretrizes e princípios básicos. Como representantes e intérprete do Cristianismo, o pregador e todo o crente enfim, precisa atuar como sentinela e orientador dos homens com referência ao seu futuro.
Para interpretar a cultura atual construtivamente quanto aos seus possíveis efeitos no dia de amanhã, não podemos depender do trabalho de terceiros, que são nossos antepassados; nem podemos depender dos que são nossos contemporâneos. Os antepassados não podem modificar as diretrizes para o futuro. Os contemporâneos estão na mesma condição em que nós estamos, ou têm a mesma tarefa diante de si que nós temos. Como estudante da cultura contemporânea não podemos entrar no trabalho dos outros. Nós mesmos precisamos atuar como testemunhas oculares e pioneiros na interpretação dos fatos. Neste aspecto a nossa obra precisa ser original e não apenas uma interpretação da história, ou dos seus fatos passados. O que temos do passado para estudo são os efeitos de causas passadas. Esses efeitos, quanto seu significado permanente, ainda estão em processo de formação. O método para o nosso estudo, portanto, precisa ser dedutivo e indutivo. Dedutivo na interpretação dos efeitos atuais procedentes de causas já conhecidas; o indutivo para interpretarmos ou descobrirmos as consequências de fatos ou experiências concretas no presente e que representam tendências ou princípios em operação. Para orientarmos as diretrizes com referência, precisamos perceber, através de casos particulares, os princípios que estão operando nos homens. Na interpretação das diretrizes contemporâneas, não podemos considerar os fatos ou acontecimentos apenas como casos particulares e isolados do seu contexto histórico ou em termos de causa ou efeito imediatos. Antes precisamos ver neles, indutivamente, a expressão ou operação de princípios universais. Para a interpretação da cultura contemporânea à luz do Cristianismo, precisamos conhecer tanto o Cristianismo no
seu ideal como também os métodos ou princípios operantes na história.
Clique AQUI para ler ou baixar a apostila completa em PDF