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Introdução
Este curso visa apresentar uma interpretação da natureza e do significado da religião e da religião cristã à base da psicologia e da história.
A matéria está assim dividida;
I – FILOSOFIA DA RELIGIÃO
- Origens
- Milagres
- Revelação e inspiração
- Tipos de revelação
- O desenvolvimento religioso da humanidade
II – FILOSOFIA DO CRISTIANISMO
- As origens do Evangelho
- A essência do Cristianismo
- As formas históricas do Cristianismo
II – FILOSOFIA DA TEOLOGIA CRISTÃ
- As origens da Teologia
- A evolução histórica
- A ciência da Teologia
- A natureza do conhecimento religioso
Sugestões Bibliográficas:
- Auguste Sabatier – Outlines of a Philosophy of Religion
- D. Miall Edwards: The Philosophy of Religion
- Galloway: Introduction to the Philosophy of Religion.
- Caird: Introduction to the Philosophy of Religion
- Fairbain: The Philosophy of the Christian Religion
- Geisler: Philosophy of Religion
- Tillich: Filosofia de la Religion
1ª Parte – FILOSOFIA DA RELIGIÃO
Preliminares:
1. POSSÍVEIS ASPECTOS DO ASSUNTO A SEREM ESTUDADOS.
1.1. Psicologicamente – As Origens dos fenômenos religiosos.
1.2. Historicamente – O progresso das manifestações religiosas na história.
1.3. Eticamente – As relações sociais criadas pela religião.
1.4. Filosoficamente – Em virtude da relação da religião com as outras atividades da
vida humana. A religião está relacionada com a vida toda.
1.5. Epistemologicamente – Estuda a natureza do valor do conhecimento religioso.
1.6. Ontologicamente – Estuda o significado da religião com relação ao próprio ser.
2. RELAÇÃO ENTRE TEOLOGIA, APOLOGÉTICA E FILOSOFIA DA
RELIGIÃO
2.1. Na Teologia – Estudamos os fatos da experiência religiosa cristã que são interpretados em forma de doutrina.
2.2. Na Apologética – Demonstramos que o que cremos na teologia é a verdade. Defendemos a veracidade daquilo que cremos ou da nossa teologia: não entramos no conteúdo da teologia.
2.3. Na Filosofia da Religião – Estudamos as origens e o conteúdo dos fastos da experiência religiosa. Estudamos a religião propriamente dita em suas relações com outras fases da vida.
3. RELAÇÃO ENTRE A RELIGIÃO E A FILOSOFIA
3.1. A filosofia da religião ou o estudo filosófico da religião baseia-se na pressuposição de que a religião e as idéias religiosas, pertencentes primariamente à esfera do sentimento e à experiência prática, podem ser também objeto da interpretação científica ou racional.
3.2. O estudo filosófico da religião pressupõe também que, embora a Religião e Filosofia estudem os mesmos assuntos, a atitude do homem para com os mesmos é diferente em cada caso. Na Religião estes assuntos se apresentam como realidades imediatas e objeto de devoção e do gozo espiritual; ao passo que na Filosofia estes mesmos assuntos se apresentam como objeto de reflexão, apreensão intelectiva e mesmo de pesquisa especulativa.
3.3. Todo sentimento, seja moral, estético, ou religioso, por sua natureza própria já envolve algum conhecimento, embora seja esse apenas implícito ou virtual. Cabe à filosofia elucidar esse conhecimento implícito, trazendo-o da esfera da intuição imediata, na qual a mente ainda é inativa e unida ao seu próprio objeto, para uma esfera mais elevada e consciente na qual a mente se distingue do seu objeto e busca unir-se ao mesmo de modo mais profundo e indissolúvel. É mediante uma interpretação racional que o homem entra na posse do conteúdo do seu próprio sentimento ou da experiência empírica.
3.4. O objetivo da Filosofia da Religião é procurar alcançar a verdade absoluta que está implícita ou oculta por trás dos fenômenos ou experiências religiosas empíricas. A Filosofia da Religião visa alcançar a essência ou o significado final dessas mesmas experiências. A Filosofia não se contenta com aquilo que apenas parece ser, mas com aquilo que realmente é. A filosofia visa chegar, por meio do raciocínio, ao conhecimento de Deus como a causa da experiência. Não dizemos que ela alcança isto, mas que visa o conhecimento de Deus. O conhecimento de Deus não é atingido só pelo uso do raciocínio. Paulo diz: “os homens na sua sabedoria não conheceram a Deus” (1Co 1.21).
3.5. Nada existe, portanto, no terreno da realidade, inclusive a religiosa, que não seja objeto do estudo filosófico. A esfera da Religião é a mais ligada à da Filosofia. Ambas tratam do mesmo objeto, embora os métodos e as atitudes do homem sejam diferentes em cada caso; daí o motivo de estudarmos aqui a Filosofia da Religião e a Filosofia da Religião Cristã.
3.6. Devemos notar no nosso estudo que tem havido e que ainda há objeção contra essa pretensão da Ciência ou da Filosofia procurar interpretar a experiência religiosa. Pensadores há, por exemplo, que negam que a Filosofia seja capaz de interpretar a Religião em termos racionais. Afirmam que a verdade religiosa difere da verdade científica e filosófica. Dizem que a ciência trata das coisas do mundo natural, enquanto a Religião trata do que é sobrenatural.
Admitimos que esses pensadores certamente têm muita razão em fazer distinção entre esses dois campos de experiência e de conhecimento. Não vamos entrar aqui, todavia, numa apreciação crítica dessa objeção contra a Filosofia da Religião. Cremos que elas serão desfeitas no decorrer de nosso estudo. Chamamos a atenção para o fato de que tais objeções existem e que constituem um problema no estudo da Filosofia da Religião.
Notamos para o presente, apenas o seguinte: embora haja distinções entre o natural e o sobrenatural, este, ou a sua existência, ao menos de algum modo, já está pressuposto na existência daquele. Pergunta-se, por exemplo: como é que nossa mente sabe que o sobrenatural existe? Se a mente tem capacidade de conhecer a existência do sobrenatural, como é que não tem capacidade para conhecer a natureza do sobrenatural? Como é que a nossa mente pode assumir, na religião, uma atitude reverente, apropriada para com aquilo que desconhecemos por completo?
Estas perguntas e outras serão esclarecidas mais facilmente quando estudarmos a natureza do conhecimento religioso.
Cremos que os problemas de natureza crítica só podem ser solucionados através de um estudo histórico e psicológico da experiência religiosa. A não observação deste método tem sido a maior dificuldade da interpretação ou estudo filosófico da religião.
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