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Introdução

O Tio Reynaldo era um homem alto, solteirão, inteligente, filósofo, racional. Usava muito a lógica para as suas decisões e em algumas coisas era meio esquisito. Sempre bem vestido. Tinha uma preocupação constante de não se encontrar com alguém de surpresa de qualquer forma e causar má impressão. Andava sempre com um pente e espelhinho redondo no bolso para ver se estava bem penteado, caso contrário, passava o pente e seguia em frente. Sempre usava terno azul-marinho, casimira da marca Aurora. Podia ser o maior calor do Rio, ele tinha por baixo da camisa, camiseta de mangas compridas e também usava ceroula (acho que poucos sabem o que era isso). Andava sempre com guarda-chuva, pois, segundo ele, podia chover a qualquer hora e pasta na qual tinha a sua Bíblia, um livro e mais coisas para qualquer emergência, tais como: canivete, barbante etc…

Todos que o conheciam o chamavam de Doutor Purim, ou então professor e pastor para as suas ovelhas. Ele gostava ser tratado assim, porque de fato era.

Tinha uma preocupação extrema em não dar má impressão em alguma de suas atitudes. Era extremamente cioso com o uso de seu dinheiro. Gastava o mínimo possível. Tudo o que ele gastava, no final do dia, recordava e anotava em um livro de folhas pautadas. Assim é que foram encontrados, em seus guardados, muitos livros com registros, com as datas, os gastos com bondes e lanches etc. Era muito sistemático e ninguém podia demovê-lo do seu modo de vida. Tinha uma preocupação oculta: “o que será que alguém poderá falar?” e assim dar mau testemunho como cristão.

Era também muito cioso quando ao sexo oposto. Conta a minha cunhada, Noemi Lucília que quando aluna dele no Colégio Batista Brasileiro, nos intervalos as alunas se aproximavam dele para tirar dúvidas quanto à prova e outros assuntos, ele ia se afastando para não ter qualquer contato. Assim era também na igreja e em toda parte.

Suas falas eram sempre com muito cuidado no uso das palavras. Antes de responder uma pergunta, questionava o interlocutor, o que entendia pelo termo usado. A máxima dele foi: “bem, bem, precisamos definir os termos…” para então começar a discussão do assunto. Ele, como doutor em filosofia, talvez, inconscientemente usava o método de Sócrates que fazia o possível para que o próprio questionador descobrisse a resposta com o desenvolvimento do seu raciocínio. Era o facilitador para o aluno descobrir a verdade. Sempre, entretanto, era rápido em dizer que não conhecia o assunto que não tivesse estudado.

A sua vida afetiva era direcionada ao saber, aos estudos, ao trabalho, à Igreja Batista em Bangu que ele pastoreava e ao Seminário onde lecionava as matérias mais importantes.

Nascido e criado na roça, sempre se inclinou para os estudos. Consta que, jovem como era, ao chegar no Colégio Batista no Rio, em 1917, logo que fez as provas de admissão para o ginásio, foi classificado para o segundo ano. Fez o ginásio, colegial concomitantemente com o Seminário. Terminado o Bacharel em Teologia fez logo o Mestrado com a tese – Cristo – O Atonement. Na qual ele defende a posição de Jesus Cristo como o único e verdadeiro intermediário, unificador, reconciliador entre Deus e o Homem e vice-versa. Está publicado como “Jesus Cristo, o Reconciliador”.

Tendo grandes propensões para a cultura teológica, conseguiu bolsa para continuar seus estudos no famoso Seminário de Louisville, Ky, EUA. Pretendia o doutorado. Entretanto, quando lá chegou em 1926, sua tese de mestrado no Brasil não foi reconhecida. Para isto, fez uma tese “proforma” com o tema “A Exultação de Cristo no Espírito Santo”. Também à disposição dos interessados.

Entretanto, para poder fazer o doutorado tinha ainda que ter o grau de Bacharel em Artes. Por essa razão ele teve que fazê-lo no Georgetowon College. Fê-lo com brilhantismo. Lá ele trabalhou em um Jornal onde teve muitas experiências em jornalismo, como reporte e escritor. Mantinha as mais gratas recordações do tempo em que lá esteve. Tendo conseguido o título requerido, volta para Louisville. Lá teve as mais importantes experiências com os mais famosos teólogos da época, tais como: Mullins, A. T. Robertoson e muitos outros. Também teve que trabalhar arduamente para manter-se nos estudos. Cortou grama e trabalhou como foguista para climatizar os apartamentos, dormitórios dos alunos e demais prédios do Seminário nos gelados invernos. Lá ele permaneceu estudando e confeccionando a tese, na qual gastou uns
cinco anos de pesquisas. Esta tese teve os melhores elogios e apreciações – Tem como tema: An Introduction to the Death and Ressurrection of Jesus Christ = Um Introdução à Morte e Ressurreição de Cristo. Dizia ele que era intraduzível. Entretanto, já a temos à disposição dos interessados, graças ao trabalho do irmão e sua ex ovelha, Professor Claudio Vital de Souza. Volta ao Brasil em 1934.


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