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I – Introdução – Teologia como a ciência da religião

Teologia, como interpretação científica da experiência religiosa ou das relações do homem com Deus e com a coletividade, é uma necessidade deste mesmo homem como ser espiritual, racional e social. Sendo espontâneas, as expressões religiosas do homem revelam o que ele é em si como um todo, no sentimento, pensamento e vontade. Nestas expressões visam satisfazer as necessidades inatas do homem como indivíduo e como ser social. Ele atua como religioso não somente no sentimento, mas também no raciocínio. Procura interpretar o seu sentimento e experiência para satisfazer tanto a sua própria natureza racional como também a coletividade do qual faz parte.

A interpretação da sua natureza e expressões religiosas não é somente uma necessidade do homem, mas é também a sua tarefa para cujo cumprimento depende do seu próprio esforço e de um método adequado. A compreensão racional não acompanha a experiência empírica do homem automaticamente. Isto se verifica em qualquer campo da experiência ou conhecimento, inclusive o religioso. O próprio homem precisa interpretar as suas experiências empíricas. Ele é caracterizado por uma sede inata de saber ou de compreender racionalmente as causas e finalidades destas mesmas experiências. A satisfação desta sede depende do próprio homem. É tarefa que ele precisa cumprir por sua própria vontade e iniciativa e na base dos princípios da racionalidade também inatos nele. Precisa fazê-lo para uma satisfação própria e também como exigência da sociedade.

A Teologia, como interpretação racional da religião, portanto, é obra do homem. O seu método precisa ser objetivo ou científico para satisfazer o raciocínio próprio e da coletividade em matéria de causas e efeitos imediatos o método precisa ser também subjetivo ou filosófico, como expressão do homem como indivíduo. Ele precisa relacionar a sua experiência religiosa com as outras formas de experiência e de conhecimento que possua. Teologia, embora seja inicialmente uma interpretação individual ou testemunho pessoal, precisa ser também objetiva e impessoal para ser aceitável para o raciocínio da coletividade. Para ter valor ético e universal, a teologia precisa estar relacionada ou coordenada também com a verdade conhecida nas outras esferas das da experiência do homem. A teologia não pode estar separada, nem pode estar em conflito com a ciência e filosofia que também procuram interpretar a experiência do homem Em última análise, a teologia não apenas a ciência da religião; é também a interpretação científica da vida religiosa do homem como um todo e em todas as suas relações, feita pelo homem como indivíduo para a satisfação sua e da coletividade.

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