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O Revestimento do Poder para os Crentes Primitivos no Pentecostes e Depois

DESEJAMOS examinar aqui as palavras que Jesus Cristo, no dia da ascensão, proferiu aos seus discípulos e que se encontram registradas no Evangelho de Lucas 24.49 e no Livro dos atos dos Apóstolos 1.4,5,8. Jesus disse-lhes, segundo o que está em Lucas: “Eis que eu vou enviar sobre vós a promessa de meu Pai; mas permanecei na cidade, até que sejais revestidos de poder Ia do alto”, palavras estas que estão também registradas no livro dos Atos, nos seguintes termos: “Reunido a eles, ordenou-lhes que não saíssem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa feita pelo Pai, a qual (disse ele) de mim ouvistes; pois João, na verdade batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias. Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até as extremidades da terra.”

1- CAMINHO PARA UM AVIVAMENTO ESPIRITUAL GENUÍNO.

Estas palavras de Jesus Cristo, duas vezes relatadas nas Escrituras Sagradas pelo mesmo historiador, tratando do revestimento de poder para os cristãos primitivos, são de suma importância para os crentes de hoje, pois em toda parte há um clamor por um despertamento ou avivamento espiritual. E não podia deixar de ser de outra maneira, dada a situação do mundo atual. Os crentes de hoje precisam de uma nova vida e de uma mensagem do Evangelho para oferecer ao mundo mais, eficiente do que a que tem tido até agora. A questão do avivamento é tão imperiosa que não pode ser posta de lado. O problema, porém, neste assunto de um avivamento está em encontrar o seu verdadeiro caminho ou método. Tem havido muita propaganda do púlpito e pela imprensa evangélica; tem havido também congressos e outros empreendimentos visando este mesmo fim. Antes de tomar qualquer iniciativa neste senti do, porém, precisamos compreender, por exemplo, a natureza de um avivamento genuíno. Ao invés de o buscar apenas como uma finalidade, devemos buscá-lo também dentro dos princípios e métodos das Escrituras Sagradas.

Para ser construtivo, um avivamento deve ser bíblico tanto no objetivo como no método. Deve basear-se nos mesmos princípios que determinaram, por exemplo, o revestimento de poder dos discípulos de Jesus Cristo e dos outros crentes no início do Cristianismo histórico. É na promessa de Jesus a eles, pois, e no seu cumprimento que encontramos o exemplo de um avivamento genuíno. O ensino de Jesus e a experiência dos crentes primitivos devem ser tomados como base para a nossa orientação. Deve ficar claro, porém, que as suas experiências não se repetem e ninguém deve procurar imitá-las literalmente em nossos dias. Os fatos históricos não se repetem e não podem ser imitados como tais. O seu significado para nós, porém, está nos princípios que eles revelam ou exemplificam como base da vida cristã.

2 – DOIS CASOS DISTINTOS DE RECEBIMENTO DE PODER ENTRE OS CRENTES PRIMITIVOS.

Com referência ao poder que Jesus Cristo prometeu e que os crentes primitivos receberam, há dois casos a considerar. O primeiro é o dos discípulos, propriamente ditos, isto é, dos que tinham acompanhado a Jesus e conheceram a obra do seu ministério. O segundo caso é o dos outros cristãos que se converteram no Pentecostes e depois. Para estes a vinda do poder o cumprimento da promessa de Jesus, foi diferente da dos primeiros em método, embora fosse idêntica em princípio. Sem tomarmos em consideração a diferença entre os dois casos, será difícil compreender o caminho para um avivamento bíblico de que necessitamos.

É necessário deixar claro ainda que revestimento de poder tanto para os discípulos como para os outros crentes primitivos foi, em última análise, a obra do Espírito Santo. Um avivamento verdadeiro depende de conhecermos o ensino das Escrituras Sagradas e de Jesus, em particular, sobre a obra do Espírito Santo como segredo desse mesmo avivamento. Precisamos saber responder, por exemplo, a perguntas como estas: Quando é que o Espírito Santo atua e reveste o crente de poder? Será que esta é uma obra exclusivamente divina ou será também humana? Qual foi, enfim, a natureza do poder espiritual que os discípulos e os demais crentes de então receberam e qual foi a finalidade para a qual eles o receberam?


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